Categoria "ENTREVISTAS"

ENTREVISTA COM KAREN JUAN – ONG CIADAPTE

Hoje a entrevista é com a Karen Juan, fundadora da Organização Não-Governamental Centro Integrado de Apoio e Desenvolvimento Abrangente para Pessoas com Talentos Especiais (CIADAPTE).
 

Karen Juan - Foto: Facebook

Karen Juan – Foto: Facebook

Bolsa de Bailarinos: Conte-nos um pouco sobre a sua trajetória na Dança.
Karen Juan: Sou graduada em Dança pela UNICAMP, especialista em Atividade Motora Adaptada (FEF-UNICAMP) e participei do grupo de Estudos de Imagem Corporal (FEF-UNICAMP). Estudei Ballet Clássico na Academia de Ballet Lina Penteado em Campinas/SP e tenho formação como bailarina pela Royal Academy of Dance. Antes de dar início ao CIADAPTE, trabalhei em alguns projetos sociais com crianças e jovens, em escolas, na APAE de Paulínia/SP e em 2005, juntamente com meu esposo Eduardo, fundamos o CIADAPTE – Centro Integrado de Apoio e Desenvolvimento Abrangente para Pessoas com Talentos Especiais.
 
BdB: Como surgiu a ideia de fundar uma ONG de Dança?
KJ: Ministrando aulas de dança adaptada na APAE de Paulínia/SP, nos deparamos com a falta de um espaço apropriado para o ensino da dança, além de verbas para confecção de figurinos, entre outros. Surgiu, então, a ideia de ampliar o trabalho criando uma instituição que possibilitasse oportunidades para todas as pessoas que tivessem interesse nesta maravilhosa arte. Assim também poderíamos ampliar o campo de trabalho de profissionais da área e dar oportunidades às pessoas que vivem em estado de vulnerabilidade.
 
BdB: Qual o objetivo principal do CIADAPTE?
KJ: O CIADAPTE tem como objetivo principal promover projetos sociais e culturais para a sociedade, oferecendo toda a estrutura e suporte.
 
BdB: Quais são os projetos participantes do CIADAPTE? Descreva sucintamente cada um deles.
KJ: Projeto Developpé: Tem como objetivo contribuir com a formação pessoal e profissional de crianças, adolescentes e jovens por meio do Ballet Clássico, Dança Contemporânea e o Jazz associados aos elementos de consciência corporal, possibilitando o desenvolvimento de potencialidades, habilidades, talentos e formação cidadã.
Projeto Livre Expressão: Tem como objetivo propiciar a inclusão social das pessoas com deficiência, em especial a intelectual, por meio da dança adaptada, estimulando suas capacidades e potencialidades, aumentando sua autonomia e o desenvolvimento global.
140 garrafas PET cheias de lacres = 1 cadeira de rodas

140 garrafas PET cheias de lacres = 1 cadeira de rodas

Companhia Experimental Developpé: Tem como objetivo possibilitar a vivência em uma Companhia de dança, “experimentando” a rotina, as obrigações e os prazeres de um bailarino profissional, além de preparar as crianças e jovens para este mercado de trabalho.
Ballet Na Rua: Tem como objetivo popularizar a dança, levando aos bairros da cidade de Paulínia/SP variações de Ballets de Repertório e coreografias diversas de Ballet, Dança Contemporânea e Jazz interpretadas pelo elenco da nossa Companhia.
Curso preparatório para o ensino de Ballet para crianças: Tem como objetivo iniciar o trabalho pedagógico com jovens que têm interesse nesta área profissional da dança.
Projeto Viva a Cidadania: Este é um projeto idealizado com intuito de contribuir com pequenas ações de muitas pessoas para um mundo melhor para todos. Realizamos diversas campanhas de arrecadação de alimentos, material de higiene pessoal, brinquedos, até mesmo figurinos para doação para hospitais infantis, como o Centro Boldrini. Também realizamos continuamente a campanha de coleta de lacres de latinhas, as quais trocamos por cadeiras de rodas (140 garrafas PET cheias de lacres = 1 cadeira de rodas) que disponibilizamos às pessoas que estão necessitando em nosso município.
 
BdB: Para participar de algum destes projetos é necessário pagar mensalidade e passar por seleção?
KJ: Os projetos “Ballet na Rua” e “Viva a Cidadania” foram elaborados para a participação da sociedade, são aberto à todos.
O projeto “Livre Expressão” tem parceria com a APAE de Paulínia/SP, mas também é aberto à outras pessoas. Porém, é feita uma triagem para início.
Os projetos “Companhia Experimental Developpé” e o “Curso preparatório para o ensino de Ballet para crianças” até este ano eram específicos para alunos do CIADAPTE. A partir do próximo ano (2017), serão abertos para todos os interessados.
Já o projeto “Developpé” é pago. Mas realizamos audições para busca de talentos que, através de triagem social, disponibilizamos bolsas. Hoje temos 25 alunos com 100% de bolsa.
 
logoBdB: O CIADAPTE possui algum programa para patrocinadores ou alguém que queira doar alguma ajuda (financeira ou não)?
KJ: Sim! Temos o “ADOTE UM TALENTO”, um programa onde pessoas físicas e jurídicas contribuem com valores diversos, materiais ou até mesmo com serviços para continuidade e ampliação dos projetos. Quem tiver interesse, pode entrar em contato conosco (clique aqui para entrar em contato com o CIADAPTE)!!!
 
BdB: O que seria a “Developpé”?
KJ: Developpé Ballet e Cia é minha escola de Ballet, que segue paralelo ao projeto “Developpé”.
 
BdB: Como é ter uma ONG de Dança em uma cidade do interior?
KJ: É difícil, no sentido de angariar verbas e comprovar a importância e os benefícios que a dança traz para a sociedade. A maioria das pessoas não tem conhecimento nesta área, além de não terem o hábito de assistir dança. Mas agora que já estamos atuando há 11 anos, fica mais fácil visualizar os benefícios! Acredito que estamos chegando perto de começar a atingir nosso objetivo!
 
BdB: Quais são os projetos futuros do CIADAPTE?
KJ: Hoje almejamos ampliar nosso trabalho com a evolução dos projetos já existentes. Para isso, precisamos de patrocínios, apoio e doações para ampliarmos nosso espaço físico, contratar novos profissionais. Assim, poderemos oferecer nosso trabalho a mais pessoas que precisam desta oportunidade para que seu talento brilhe! Quem sabe abrirmos novos espaços na cidade e em outras também… Sinto como se a semente que plantamos está germinando!
 
Companhia Experimental Developpé - Fonte: www.ciadapte.org.br

                                           Companhia Experimental Developpé – Fonte: www.ciadapte.org.br


 
E se neste domingo, dia 26/06, você estiver em Campinas ou região, não deixe de prestigiar o trabalho da Developpé Ballet & Cia juntamente com o Ciadapte!
Para mais informações, acesse aqui!








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ENTREVISTA COM INGRID SILVA

E para estrear a seção “Entrevistas” nada mais justo do que uma bailarina linda, né?!
 
Ingrid Silva tem 27 anos, nascida no Rio de Janeiro em 24 de novembro.
E o resto deixa que ela conta pra gente! =)
 

Foto: Scott Serio

                          Foto: Scott Serio

Bolsa de Bailarinos: Conte-nos um pouco sobre a sua trajetória na Dança.
Ingrid Silva: Eu comecei a fazer Ballet aos 8 anos de idade na Projeto “Dançando Para Não Dançar”. Este Projeto Social já atua há mais de 10 anos em todas as comunidades carentes do Rio de Janeiro e tem sua própria sede no centro da cidade.
Através deste projeto, eu tive a oportunidade de iniciar e aprimorar meus estudos de dança na Escola de Danças Maria Olenewa, Centro de Movimento Deborah Colker e tive a oportunidade de estagiar na Companhia Grupo Corpo.
Aos 18 anos, eu tive a oportunidade de conhecer Bethania Gomes, que dançava no Dance Theatre of Harlem como Principal Dancer. Ela fez uma visita e deu aula no Projeto e foi aí que ela me viu e acreditou que eu tivesse potencial.
A diretora do Projeto, Thereza Aguilar, me levou para Nova York para uma audição com a DTH e passei. Entre 10 meninas, eu fui uma das escolhidas.
Entrei para a escola onde estudei por 3 meses no Profissional Training Program, programa para profissionalizar os bailarinos. Nesta época, o Arthur Mitchell, fundador da escola, viu algo em mim que agradeço ele até hoje. Ele me promoveu para Companhia Jovem com apenas 3 meses de trabalho na escola. Dali em diante foi muita batalha e força de vontade e foco.
 
BdB: Como é para você iniciar os estudos de Dança em um Projeto Social e hoje fazer parte de uma das maiores Companhias do mundo?
IS: Às vezes não sei nem descrever… sabe quando as pessoas falam quando é pra acontecer, acontece!?
Então, nem eu tive a ideia que através do Projeto chegaria onde estou hoje. Eu sabia que queria dançar, mas não sabia necessariamente se iria conseguir ser uma profissional pela questão de oportunidades e fazer audições.
Bom, estava no caminho certo! Hoje é só gratidão pelo Projeto e pelo meu próprio esforço!
 
Foto: Saunak

                                       Foto: Saunak

BdB: O que você acha de ser uma bailarina negra no Brasil? E fora do Brasil?
IS: Olha, não sei explicar bem no Brasil, porque a minha carreira profissional não foi no Brasil e, sim, aqui no Dance Theatre of Harlem. E posso dizer que são os melhores anos da minha vida!
 
BdB: Como é fazer parte de uma das primeiras Companhias de negros dos EUA?
IS: Sinto muita responsabilidade com a história da Companhia, como foi formada e por quem foi formada. Arthur Mitchell foi uns dos primeiros bailarinos Negros na New York City Ballet.
 
BdB: Qual foi o trabalho que você mais gostou de dançar? Por que?
IS: Tem um Ballet chamado “Dancing On The Front Proch Of Heaven” pelo Ulysee Dove. É sobre amor e perda.
Ele, durante a criação do Ballet, perdeu 12 parentes e amigos.
Quando tivemos a estreia deste Ballet, eu havia perdido a minha afilhada para uma batalha contra a leucemia. Foi um dos momentos mais difíceis da minha vida. Eu usei na minha dança e em homenagem a ela.
 
BdB: Hoje em dia você não participa mais de competições. Por que?
IS: Eu, na verdade, nunca participei de competições na minha vida!
 
BdB: Você já teve vontade de participar da Dança de outra forma, sem ser bailarina?
IS: Sim, eu participo dando aulas e palestras.
 
Foto: Omar Z. Robles

               Foto: Omar Z. Robles

BdB: Qual seu maior sonho na Dança?
IS: Nossa, eu nunca tinha respondido essa pergunta!
Então, meu sonho é fazer o que faço agora: é ser uma bailarina negra profissional e poder dividir a minha arte e inspirar as pessoas.
 
BdB: Qual o diferencial dos bailarinos brasileiros?
IS: Brasileiro tem raça, tem gana, quer muito!!!
A forma de se apresentar é diferente… a gente tem algo que nem todos os bailarinos têm!!!
 
BdB: O que a Dança representa para você?
IS: A minha vida! É como respirar sem o ar, não vivemos. É assim que me vejo em relação ao meu trabalho.








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